Fábula: A florzinha que queria voar

Era uma vez uma pequena semente, que um dia foi plantada com muito amor e carinho no solo de um lindo jardim. Lá ela permaneceu por um tempo, sempre sendo regada e cultivada por seus cuidadores. Mesmo quando tão jovem, a futura florzinha já nutria sonhos e desejos, vibrava com vida e alegria. Mal esperava a hora de conhecer o mundo!

Um dia, ela cresceu em caules, depois em folhas bem verdinhas. Não demorou muito tempo e já havia um único botão, que veio a desabrochar em uma linda flor, enchendo o jardim com suas cores e nuances únicos. Seu perfume era adoravelmente doce, e todos se alegraram imensamente com sua chegada.

Naquele jardim, ela foi muito feliz, mas assim que o sol veio e se pôs algumas várias vezes, cansou-se. Seu espírito era aventureiro demais para manter-se fixo, para estar em somente um lugar, vendo o pôr do sol de apenas um ângulo. A florzinha queria mais, queria ouvir outras melodias, degustar novos sabores, enxergar diferentes cores.

Porém, uma constatação chegou para entristecer seu pequenino coração.

Assim pensou ela:
“Ah, como posso passear por outros lugares se estou aqui, plantada neste solo? Como posso viajar por aí, se meus pés estão presos ao chão? Ah, ai de mim, ai de mim! Quem dera poder voar pelo céu azul como as borboletas, conhecer novas terras, explorar novas sensações. Ah, ai de mim!” pranteava a pobrezinha. O jardim entristeceu-se junto com ela, e as nuvens, compadecidas, choraram gotas pesadas de sofrimento em forma de chuva.

Nos dias seguintes, todo o brilho e a beleza da florzinha foram diminuindo. Seus amigos, os que de fato a queriam bem, tentavam abrir-lhe os olhos a todo tempo, e assim diziam eles:
– Ah, Florzinha, suas raízes não são tão profundas assim. Se você tentasse, apenas tentasse, talvez conseguisse criar asas tal qual as borboletas, e aí alcançar o azul do céu, o branquinho das nuvens, o dourado do sol. Tente, pequena flor, apenas tente!

Ouvindo essas palavras, esperança enchia-lhe o coração, e toda contente ela ia conversar com suas raízes:

– Raízes, meus amigos me disseram que se tentar, apenas tentar, serei capaz de voar, alcançar o que meu coração desejar… – Mas, antes mesmo que ela terminasse o que tinha a dizer, lá vinham as raízes, sempre elas, a dizer-lhe:
– Não, florzinha, nada disso! Essas histórias não passam de mentiras para seduzir-te! Se tentares criar asas, irá voar, cair e destruir-se. Permaneça aqui, onde poderemos vigiar-te e cuidar-te!

Amuada mas conformada, lá ia a florzinha, sentir o mesmo ar tocar em suas pétalas, observar o mesmo sol e a mesma lua nascer e se pôr; Molhar-se sempre pela mesma chuva, ouvir sempre as mesmas canções. Seu coraçãozinho apertava-se cada vez mais, e sua luz apagava-se gradativamente. Incansáveis, seus amigos insistiam para que ela tentasse voar, mas fiel como era, ela só dava ouvido a suas raízes, suas tão queridas raízes. Deixou de brincar com as outras flores, de cantarolar pelo jardim. Nem mesmo banhar-se com a luz do sol ela ia mais!

Em uma manhã, após uma noite de chuva incessante, a florzinha acordou e, sabe se lá porquê, resolveu saldar o sol, como não fazia a um tempo. Assim que o fez, pôs-se a analisar a paisagem. Notou que graças a chuvarada da noite anterior, uma poça de água alojara-se ao lado de sua casinha. Curiosa, ela parou para observá-la, e então, pela primeira vez em muito tempo, prestou atenção em seu reflexo.

Admirou-se negativamente ao constatar o quanto suas pétalas pareciam murchas, o quanto suas cores estavam pálidas. Tomou consciência de que os conselhos de seus amigos eram reais, de fato, sua luz apagava-se pouco a pouco.

– Ah, o que ocorre comigo? – questionava-se.
– Para onde foi minha beleza, meu brilho?

Suas raízes, que a observavam como sempre, puseram-se a dizer:
– Está aí, Florzinha. Essa poça é de água suja, não lhe dê importância! Venha, vamos…

Só que, dessa vez, quem deu a última palavra foi ela, não suas raízes.

– Nada disso, raízes. Eu as amo muito, mas preciso ser sincera comigo mesma. Não estou bem, estou entristecendo a cada dia mais, minhas cores indo embora. Não posso mais colocar suas prioridades acima das minhas. Eu não só quero voar, eu vou voar!

Nesse momento, seu caule desgrudou do solo , e suas pétalas murchas transformaram-se em lindas asas de borboleta!

– Vejam só – diziam todos –, a florzinha voou! A florzinha virou uma borboleta!

A natureza começou a emitir uma música contente, todos os animais e plantas unidos em um só som. Bem baixinho mas ainda insistentemente, as vozes das raízes tentavam persuadi-la, mas era tarde demais. A florzinha já dançava por todo o céu com suas novas asas, desfrutava de uma felicidade nunca vista antes!

No fim de toda a comemoração, a pequena flor iniciou sua viagem, rumo ao desconhecido. É claro que sentia medo e saudades de suas raízes, mas não deixaria isso detê-la. Pois, apesar de ser doce e delicada, aquela flor também sabia ser corajosa, e estava disposta a mostrar isso para o mundo!

FIM

PS. Oi, você!
A fábula acima é uma reflexão sobre como em muitos momentos de nossas vidas, nos deixamos prender por situações e pessoas que apesar de serem importantes, já não nos fazem tão bem quanto deveriam. Ouça sempre suas raízes, mas jamais deixe de, acima de qualquer coisa, ouvir a voz do seu coração.
Entenda que quem quer te ver bem, jamais fará nada para lhe atrasar ou aprisionar.
Se em alguma relação, seja de amizade, amor ou família, você tem a sensação de estar sob pressão ou de estar sendo puxado para baixo, desagarre-se!
Será difícil, talvez você até mesmo sinta-se culpado em um primeiro momento. Mas, com o tempo isso passará, e a liberdade e felicidade que lutar por si próprio trás como consequência fará tudo valer a pena! Acredite, nada é tão impossível quanto parece!

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